
A aprovação do novo Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe trouxe de volta ao centro das discussões regionais o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, produção agrícola e preservação ambiental.
Criada em 4 de agosto de 1997, a APA possui mais de 1 milhão de hectares e abrange 36 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. A unidade de conservação é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em agosto de 2026, o ICMBio aprovou o novo Plano de Manejo da APA, documento que estabelece diretrizes e regras para o uso do território.
Um dos principais pontos que vêm gerando debate é o zoneamento da unidade. De acordo com o novo plano, 89,86% da área da APA foram classificados como “Zona de Produção”.
A classificação permite atividades produtivas compatíveis com uma unidade de conservação de uso sustentável. No entanto, o próprio ICMBio esclareceu que esse percentual não representa uma autorização irrestrita para o agronegócio ou para o desmatamento.
Segundo o órgão, permanecem em vigor regras ambientais e o objetivo do planejamento é buscar a conciliação entre as atividades econômicas existentes, a conservação da biodiversidade e a proteção dos recursos hídricos da Chapada do Araripe.
Principais datas
04/08/1997: criação da APA da Chapada do Araripe, 04/08/2026 aprovação do novo Plano de Manejo pelo ICMBio;
11/08/2026, disponibilização dos documentos do plano e do zoneamento, 27/08/2026: publicação de nota do ICMBio esclarecendo que a Zona de Produção não representa autorização irrestrita para o agronegócio.
O novo Plano de Manejo envolve diferentes interesses e setores da sociedade, incluindo produtores rurais, comunidades locais, órgãos públicos e defensores da conservação ambiental.
O debate, portanto, vai além do percentual destinado à Zona de Produção e envolve a definição de como o território da Chapada do Araripe poderá ser utilizado nos próximos anos, buscando conciliar produção, desenvolvimento regional e preservação ambiental.